Assim como a própria História da civilização Ocidental, a História da Filosofia é dividida em fases. Temos filosofia antiga, medieval, moderna, contemporânea... Essencialmente ela se mantém a mesma, mas como ela própria faz parte da marcha cultural da humanidade, tal como a arte, a religião, a sociedade, a medida que passa o tempo e esta configuração global se modifica, vão surgindo novas influências, novos problemas e novas respostas aos velhos problemas sobre os quais se debruça. Mas como nasce este espírito de inquirição? Como ele se configura e quais são os primeiros problemas aos quais intenta dar uma solução? Quem são os primeiros homens a se dedicarem a esta busca incansável pela verdade?
Este blog tem por objeto a Filosofia Antiga, ou seja, desde o nascimento e consolidação da filosofia e seus objetos por excelência, com os Gregos, até o fim do período patrístico, com talvez o maior nome do pensamento cristão em toda a história do cristianismo, Agostinho de Hippona, ou “Santo Agostinho”. Giovanni Reale (um dos maiores especialistas em Filosofia Antiga no mundo, estudioso italiano o qual citaremos diversas vezes aqui), em sua monumental obra, História da Filosofia Antiga[1], deixou de lado a filosofia Patrística. Reale justifica esta escolha dizendo que a nascente problemática do pensamento cristão não deve ser incluída em uma História da filosofia antiga entendida como filosofia greco-romana, dado que ela está “longe de coroar o pensamento grego” e “leva-o à crise e prepara um novo modo de pensar e uma nova era, vale dizer, a era medieval”.
Parece-nos relevante a escolha de Reale, pois a inclusão desta temática realmente “quebraria” o propósito declarado da obra. E nós, por que decidimos incluir este período em nossos estudos aqui? Ora, nos parece bastante proveitoso não só abordar o pensamento greco-romano mas também o modo como ele vai se modificar e se moldar a partir uma nova perspectiva, a saber, a perspectiva cristã, com a qual terá um primeiro contato no séc.II d.C. Deste primeiro “manuseio” e adaptação pelos chamados Padres da Igreja é que o pensamento filosófico nascido com os gregos entrará na Idade Média e continuará ativo, ainda que muitas vezes amplamente modificado, na concepção das idéias filosóficas e teológicas dos intelectuais medievais.
Espero que gostem!
Abç.
[1] REALE, Giovanni. História da Filosofia Antiga. 5 volumes. São Paulo: Edições Loyola. Esta obra foi relançada no Brasil com o nome “História da Filosofia Grega e Romana”, com um número maior de volumes mas com preços mais acessíveis por cada um. É talvez a obra sobre história da filosofia antiga mais importante no nosso idioma e é um ótimo material tanto para uma primeira aproximação quanto para consultas. Ela foi traduzida do italiano por Henrique Cláudio de Lima Vaz e Marcelo Perine.